Dólar sobe a R$ 3,33 com exterior e ação do Banco Central

RIO e SÃO PAULO – Pelo quinto dia consecutivo, o dólar comercial se valoriza frente ao real. A moeda americana está sendo negociada a R$ 3,32 na venda, uma valorização de 0,75%. Na máxima do dia, a divisa subiu até R$ 3,33 e na mínima foi negociada a R$ 3,31. O dólar reage a mais uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio e a aversão a ativos de risco no exterior.

Pelo quarto dia consecutivo, o BC realizou um leilão de contratos de swap cambial reverso, operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro. Foram vendidos os 10 mil contratos oferecidos, totalizando US$ 500 milhões. Em quatro dias, as operações do BC somaram US$ 2 bilhões.

“Ao aceitar a totalidade das propostas apresentadas pelo mercado, a autoridade monetária sinalizou seu desejo pela manutenção do preço da moeda americana no patamar de R$ 3,30 ou acima desse nível”, escreve em relatório divulgado nesta manhã, Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Para ele, o mercado já percebeu uma mudança de estratégia do BC, que desde sexta-feira passada voltou a intervir no mercado de câmbio. O objetivo é evitar uma desvalorização excessiva da moeda americana, o que prejudicaria o desempenho de nossas exportações.

No exterior, o dollar spot, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, se valoriza 0,02%.

Na Europa, as Bolsas operam no negativo. Londres cai 0,95%; Paris recua 2,13% e Frankfurt tem desvalorização de 2,15%. De acordo com relatório da Guide Investimentos, o clima de aversão a ativos de risco lá fora é resultado dos desdobramentos imprevisíveis do Brexit, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Há desconfinaça da sade bancos europeus, especialmente os italianos. Além disso, diz a equipe de análise da Guide, existe a expectativa de queda de preço nos imóveis no Reino Unido, o que tem levado a saques de fundos imobiliários.

“Nesse cenário de incertezas, as Bolsas vão operando em queda e o dólar se valoriza frente a moeda de emergentes”, diz a Guide em seu texto.

O mercado também aguarda a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, que decidiu pela manutenção dos juros. Os investidores procuram por sinais da autoridade monetária americana de quando as taxas poderão subir. A expectativa do mercado é que isso só ocorra em dezembro.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os investidores acompanham o mau humor do exterior e o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, se desvaloriza. A queda é de 0,84% aos 51.406 pontos.

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