Dólar comercial cai mais de 1%, a R$ 3,473, e Bolsa sobe 2,66%

SÃO PAULO – O dólar comercial volta a ser negociado abaixo de R$ 3,50 em um pregão marcado pela menor aversão ao risco no exterior e, internamente, pelo cenário político favorável a uma mudança de governo. Às 15h25, a moeda americana era negociada a R$ 3,471 na compra e a R$ 3,473 na venda, um recuo de 1,44% ante o real. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava alta de 2,66%, aos 52.347 pontos.

Na segunda-feira, a divisa subiu 0,54%, a R$ 3,525, em movimento estimulado pela anulação do rito de impeachment na Câmara dos Deputados, mas a decisão acabou sendo revogada nesta madrugada, contribuindo para a desvalorização da moeda. Em geral, os investidores são favoráveis ao impedimento da presidente Dilma Rousseff e, notícias desfavoráveis a sua permanência tendem a se refletir nos preços dos ativos brasileiros.

No exterior, o sentimento é de menor aversão ao risco, com os resultados positivos dos balanços na Europa e com o discurso do ministro de finanças do Japão, que reafirmou que poderá intervir no câmbio se o iene mantiver a tendência de alta. Além disso, há uma recuperação no preço das commodities, o que beneficia as moedas de países produtores. O “dollar index’, calculado pela Bloomberg, está perto da estabilidade, com pequena variação positiva de 0,14%.

Na avaliação de Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, o sentimento de menor risco em relação ao Brasil e um cenário mais favorável no exterior contribuem para essa queda.

— As commodities estão mais fortes. Acredito que essa queda é decorrente de uma menor aversão ao risco em relação ao Brasil. Vejo espaço para a continuidade desse movimento — disse.

BOLSAS EM ALTA

Na Bolsa, a alta é sustentada pelas ações de maior negociação. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras sobem 5,16%, cotados a R$ 9,97, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançam 5,30%, a R$ 12,71. No mercado internacional, o petróleo do tipo Brent sobe 3,74%, a US$ 45,26 o barril.

— O que estamos vendo hoje é mais uma recuperação da queda de ontem, quando o rito do impeachment foi anulado. A certeza do impeachment deve vir só na quarta-feira, com a votação no Senado — disse Ari Santo,s gerente de renda variável da corretora H.Commcor.

As ações PNs da Vale sobem 3,96% e as ONs têm alta de 2,75%. No caso dos bancos, as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco sobem, respectivamente, 4,74% e 2,97%.

Já as ações da BR Foods sobem 5,27%, repercutindo a possibilidade de venda à americana Tyson, publicada no jornal “Valor Econômico”.

No exterior, os principais indicadores do mercado acionário também está em alta. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em alta de 0,65%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, subiu 0,36%. Em Londres, o FTSE 100 registrou valorização de 0,68%. Já nas bolsas americanas, Dow Jones sobe 1,04%, igual variação registrada pelo S&P 500.

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