Dólar cai pelo 3º dia e chega a valer R$ 3,18; Bovespa sobe

RIO e SÃO PAULO – O dólar comercial registra sua terceira queda consecutiva nesta quinta-feira, apresentando desvalorização de 0,83% e cotado a R$ 3,21, a menor cotação desde julho do ano passado. Na mínima da sessão, a divisa chegou a valer R$ 3,186, enquanto na máxima subiu a R$ 3,247. No mercado externo, o dollar spot, que acompanha o desempenho da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, tem elevação de 0,44%

— Temos hoje um dia atípico em relação ao dólar, já que no último dia do mês há a formação da Ptax (taxa média) para a liquidação de contratos de câmbio futuro. Pela manhã, os ‘vendidos’ puxaram a cotação para baixo para terem uma liquidação mais favorável. A PTax fechou em R$ 3,20, o dólar voltou a subir um pouco, mas entraram os exportadores vendendo e a moeda voltou a recuar. Além disso, temos um cenário externo tranquilo hoje e um ambiente político doméstico menos hostil, que mantém um viés de baixa para a moeda americana – diz Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Segundo ele, o ‘novo’ Banco Central, presidido agora pelo economista Ilan Golfajn, já sinalizou que o câmbio é livre. O mercado interpretou a declaração como uma sinalização de que não há piso para o dólar.

— O BC antigo tinha como objetivo manter ‘com unhas e dentes’ um piso de R$ 3,50 para o dólar. Este novo BC ainda está estudando, mas certamente está vigilante para evitar que um dólar muito fraco prejudique nossas exportações. Até agora, o dólar está resistindo em cair abaixo de R$ 3,20. Mas há fluxo estrangeiro para o país e isso deve aumentar após a consolidação do impeachment da presidente Dilma, no segundo semestre. Nós mesmos estamos revisando nossa estimativa de dólar para R$ 3,20 em dezembro deste ano – diz Gomes, da Correparti, lembrando que os bancos centrais do Japão, europeu e da inglaterra estão atuando juntos para evitar os impactos do Brexit, o que significa afrouxamento monetário, depreciando o dólar.

Nos últimos dois pregões, a expectativa de que o Brexit leve a uma nova onda de estímulos monetários no mundo e a percepção de que o Banco Central brasileiro não baixará os juros tão cedo empurraram a moeda americana para menos de R$ 3,30 pela primeira vez em mais de 11 meses. A ausência do Banco central do mercado de câmbio também ajuda na desvalorização da moeda frente ao real. No exterior, o dóllar spot, índice que acompanha a variação da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, sobe 0,49%.

— Parece não haver mais piso para o dólar. O Banco Central não está atuando para segurar essa queda e, assim, o mercado vai testando para ver até onde a cotação pode cair. Vamos ter que esperar a manifestação de nossa equipe econômica para saber como ela vai agir, já que o dólar mais fraco afeta a balança comercial — afirmou Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

BOLSA IVERTE SINAL E SOBE COM EUA

No mercado acionário, o índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que estava em queda pela manhã, inverteu o sinal e se mantém no campo positivo nesta tarde, com ganho de 0,8% aos 51.407 pontos e volume negociado de R$ 4 bilhões. A Bolsa brasileira acompanha o desempenho dos mercados americanos, que sobem neste último dia do mês.

Em Wall Street, o Dow Jones sobe 1,04%, enquanto o S&P 500 tem alta de 1,23%. O Nasdaq avança 1,07%.

– As declarações do presidente do Banco da Inglaterra de que o Brexit traz prejuízos à economia inglesa e por isso será necessário um afrouxamento monetário animam os investidores. Isso minimizou os efeitos negativos da queda do preço do petróleo nos pregões – disse o economista-chefe da IHS para a Europa, Howard Archer, que acredita que o BOE pode retomar a compra de ativos.

Na Bovespa, entre as ações de maior peso, o Itaú Unibanco PN sobe 2,66% (R$ 30,42), enquanto Bradesco PN avança 1,11% (R$ 25,32). Petrobras ON perde 1,03% (R$ 11,46) e a PN cai 0,63% (R$ 9,44), em dia de desvalorização do petróleo no mercado internacional. Na Vale, o papel ON sobe 3,18% (R$ 16,21) e PNA registra valorização de 1,24% (R$ 13,04) com a alta de mais de 3% no preço do minério de ferro no mercado internacional.

Na Oi (que não integra o Ibovespa) o papel ON tem baixa de 1,01% (R$ 1,96), e o PN, de 1,45% (R$ 1,36). Ontem, a 7ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) acatou nesta quarta-feira o pedido de recuperação judicial da Oi.

EUROPA EM ALTA

Na Europa, as Bolsas tiveram seu terceiro dia de alta. O índice de referência Euro Stoxx subiu 1,15%, enquanto a Bolsa de Londres ganhou 2,27%. Em Paris, o pregão registrou valorização de 1% e Frankfurt subiu 0,71%. Declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, de que é favorável a uma redução dos juros no país, apesar das incertezas com o Brexit, trouxeram otimismo aos investidores. Carney disse que o Banco da Inglaterra tem um estoque de instrumentos para “aprofundar os estímulos monetários”.

Do outro lado do mundo, as bolsas chinesas fecharam com pouca variação nesta quinta-feira. Os investidores realizaram lucros após o movimento de recuperação desta semana devido às fortes vendas provocadas pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE). O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, teve variação positiva de 0,08%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,07%. Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,06%.

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