Consulta do BC sobre operação cambial pressiona dólar na BM&F

SÃO PAULO – O Banco Central (BC) aproveitou que o dólar comercial renovou as mínimas do ano nesta sexta-feira e decidiu fazer uma consulta aos seus “dealers” (instituições financeiras credenciadas a atuar em nome da autoridade monetária) sobre uma eventual demanda para operações de “swap cambial reverso”, contratos que têm o efeito de uma compra de dólares no mercado futuro. Essa simples consulta, feita por volta das 17h30, fez o dólar negociado na BM&FBovespa, chamado de pronto, reduzir fortemente a queda, fechando a R$ 3,6242, recua de 0,10% em relação ao pregão anterior – na mínima, havia chegado a R$ 3,5728.

O dólar comercial, que fecha diariamente às 17h, recuou 1,88%, a R$ 3,583. Essa é a menor cotação desde 27 de agosto do ano passado (R$ 3,552). Até esse horário, o comercial e o pronto possuem cotações similares. Mas o pronto, por ter um horário de negociação mais estendido, foi o que refletiu essa ação do BC.

Na avaliação de operadores ouvidos pelo GLOBO, essa ação do BC reflete que a autoridade monetária quer controlar a volatilidade do dólar, evitando um exceção de pressão de queda.

— Esse tipo de swap se usa quando o dólar está em queda. O entendimento é que o BC está querendo controlar a volatilidade — avaliou Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor.

No swap cambial reverso, do Banco Central ganha se o dólar sobe e perde se cai. No swap cambial tradicional, ocorre o contrário, ou seja, a autoridade monetária ganha dinheiro se a cotação cai.

Além disso, as últimas intervenções do BC no mercado de câmbio foram feitas com taxas mais elevadas, acima de R$ 4, quando ele precisou oferecer liquidez em alguns momentos.

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