Atuação do BC faz dólar ter primeira alta da semana, a R$ 3,526

SÃO PAULO – A atuação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio finalmente fez efeito e a moeda americana fechou em alta de 1,43% ante o real, cotada a R$ 3,524 na compra e a R$ 3,526 na venda. Essa foi a primeira alta da divisa na semana em que a intervenção da autoridade monetária somou US$ 24,67 bilhões em swaps cambiais reversos, contratos que possuem efeito de compra futura da moeda. Apesar de toda essa artilharia, na semana a moeda recua 1,97%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,56%, embalada pela expectativa de aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Esses leilões, na prática, retiram dólares do mercado com o objetivo de elevar a cotação da divisa americana, que vem se desvalorizando frente ao real influenciada pelo fator político. Os agentes do mercado financeiro afirmam que a autoridade monetária tem adotado essa expectativa agressiva para compensar a expectativa de entrada de recursos no país – que deve ocorrer com a possível mudança de governo e também porque há um aumento da liquidez global, segundo lembrou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

— O BC tem sido muito agressivo em seu posicionamento e isso não chega a ser uma surpresa para o mercado. Há a expectativa do impeachment passar e, assim, ocorrer uma entrada de recursos no país — avaliou.

De acordo com operadores de câmbio, investidores comprados no mercado futuro num dólar mais próximo de R$ 4 desmontam suas posições e a divisa americana recua.

— Nos últimos dois meses, houve um efeito manada de investidores desmontando posições no mercado futuro com dólar mais próximo de R$ 4. O mercado está apostando que uma troca de governo pode ser melhor para o país e assim o câmbio recua. O BC aproveita essa queda para reduzir sua exposição de swap tradicional (que chegou a ter um estoque de US$ 115 bilhões e agora está em menos de US$ 80 bilhões) e também atua para diminuir a volatilidade da moeda — explica Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

Nos leilões de swap tradicional que vinha fazendo o BC se comprometia a vender dólares no futuro, o que evitava uma valorização excessiva da moeda americana.

INTERVENÇÃO DO BC HOJE CHEGA A US$ 4,42 BILHÕES

No primeiro leilão, realizado entre 9h30 e 9h40, o BC vendeu todos os 80.000 contratos de swap cambial reverso, o equivalente a cerca de US$ 4 bilhões. No segundo leilão, feito entre 10h20 e 10h30 foram vendidos apenas 7.500 dos 40 mil contratos oferecidos ao mercado. A operação movimentou US$ 373,9 milhões. A terceira compra de dólares foi feita entre 11h30 e 11h40. Foram ofertados 32.500 contratos (o equivalente a US$ 1,6 bilhão), mas apenas 1.000 papéís foram vendidos (giro de US$ 49,8 milhões). Ao todo, a atuação do BC chegou a US$ 4,42 bilhões.

— Hoje, o mercado está respondendo aos leilões do BC, já que a moeda sobe, mas também há o fator cautela. Há a expectativa para a aprovação do impeachment na Câmara, mas nunca se sabe se algo pode dar errado — diz o gerente de câmbio.

No acumulado da semana, os leilões de swap reverso somaram US$ 24,67 bilhões.

Analistas avaliam que apesar das intervenções do BC para manter o dólar comercial acima de R$ 3,50, a tendência para a moeda é de queda. Para Galhardo, a moeda pode recuar ainda mais se o processo de impeachment passar, mas é difícil estimar até onde o dólar pode ir. Há apostas de que a divisa americana poderia recuar até entre R$ 3,30 e R$ 3,40. Mas Galhardo avalia que o BC vai continuar atuando para evitar uma queda muito brusca.

— O BC vai continuar atuando — diz Galhardo.

AÇÕES DA PETROBRAS DISPARAM

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, operou em alta sustentando pela expectativa de aprovação do impeachment. O índice subiu 1,56%, aos 53.227 pontos, renovando a máxima do ano. Na semana, o Ibovespa sobe 5,83%.

Entre as ações do índice, os papéis da Petrobras registraram alta relevante. Os preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal avançaram 5,78%, cotados a R$ 9,69, e os ordinários (ONs, com direito a voto) registraram valorização de 3,92%, a R$ 11,92. A maior alta, no entanto, foi registrada pela Gerdau Metalúrgica, 8,36% (R$ 2,85). Na outra ponta, as ações da Rumo recuaram 3,84% (R$ 3,75).

No cenário externo, a divulgação de indicadores econômicos da China trouxe números melhores que os esperados. O PIB do primeiro trimestre registrou expansão de 6,7% anualizado, mas ainda assim mostra a menor expansão desde 2009.

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones fechou com leve queda de 0,16% e o S&P 500 teve pequena variação negativa de 0,10%.

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