Após BC dos EUA manter juro, dólar fecha em queda a R$ 3,46

RIO e SÃO PAULO – Depois de iniciar o dia sem trajetória definida, o dólar comercial fechou em queda frente ao real nesta quarta-feira, pelo segundo dia consecutivo, após a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, de manter os juros no atual patamar (entre 0,25% e 0,50% ao ano). A divisa americana recuou 0,34% cotada a R$ 3,46 na venda. Na máxima do dia, o dólar subiu a R$ 3,50 e na mínima foi negociado a R$ 3,44. No exterior, a moeda americana também se depreciou. O dollar index, que acompanha a moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, recuou 0,36%. Na prática, com juros mais baixos, os Estados Unidos acabam atraindo menos investidores.

— O Fed está menos inclinado a subir os juros em breve. E quando o fizer será uma alta “mais suave”. Esse cenário beneficia moedas de países emergentes – diz um operador de câmbio.

Para o mercado, uma mexida nos juros, que era esperada para junho, agora só deve acontecer em julho.

— Acredito que Fed mexerá nos juros em julho – disse Ari Santos, da corretora H. Commcor.

A presidente do Fed, Janet Yellen, disse em seu discurso que as condições atuais da economia exigem uma abordagem cautelosa da política monetária. “Os indicadores econômicos têm sido mistos, e a atual política monetária permanece adequada”.

Os principais índices americanos, que estavam em alta durante todo o dia, inverteram a tendência e fecharam em queda: o S&P 500 recuou 0,16%, o Dow Jones perdeu 0,17% e o Nasdaq recuava 0,18%.

BOLSA SEGUE EXTERIOR

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o dia começou com o pregão acompanhando a recuperação dos mercados internacionais. O Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, perdeu força depois da divulgação da delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado., que citou o presidente interino, Michel Temer, afirmando que ele pediu doações para a campanha de Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012. Mas o índice acabou fechando em campo positivo, com alta de 0,55% aos 48.914 pontos e volume financeiro de R4 15 bilhões, inflado pelo vencimento do Ibovespa futuro.

— O mercado começou o dia acompanhando a recuperação das Bolsas do exterior. Mas mudou de humor e passou a perder força quando apareceram as informações da delação premiada. Mas acabou prevalecendo o otimismo com o exterior – disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

Na terça, o temor de que o Reino Unido deixe a União Europeia abalou os mercados globais, que fecharam em baixa. A Bolsa paulista recuou 2,04%.

A maior alta do pregão foi apresentada pelas ações preferenciais (sem direito a voto) da Usiminas, com ganho de 22,75% a R$ 2,05. A Usiminas acertou os termos de renegociação de suas dívidas com os bancos credores, incluindo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e também os debenturistas. Comunicado divulgado mostra que a siderúrgica terá dez anos para quitar as dívidas e três anos de carência para iniciar o pagamento do valor principal. As negociações também envolvem o Itaú Unibanco, o Banco do Brasil, o Bradesco. A condição para que o acordo seja fechado é que o aumento de R$ 1 bilhão de capital da empresa seja homologado até 22 de julho.

Ações de siderúrgicas Gerdau e CSN ficaram entre as maiores altas acompanhando a valorização do minério de ferro no exterior. Os papéis preferenciais da Vale (sem direito a voto) subiram 3,64% a R$ 12,23.

A maior baixa foi apresentada pelos papéis ordinários da processadora de carnes JBS, com queda de 3,17% a R$ 9,76. A empresa também foi citada na delação de Sergio Machado.

No cenário doméstico, os investidores acompanharam a entrega da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para criação de um teto dos gastos do governo ao Congresso, que vale por 20 anos, mas pode ser revisada no décimo ano. Mas ela teve pouco impacto no mercado.

MERCADOS EXTERNOS SE RECUPERARAM

No exterior, o quadro de hoje foi de recuperação nos mercados de risco, depois de quedas sucessivas, observou o economista-chefe do home broker Modalmais, Álvaro Bandeira, em relatório. Há expectativa de que o Banco do Japão possa anunciar estímulos extras à economia. E indicadores mais positivos na Europa também embalaram positivamente as bolsas. A balança comercial da zona do euro avançou em abril para um superávit de 27,5 bilhões de euros, maior que o saldo positivo de 20,9 bilhões de abril de 2015, segundo a Eurostat.

Os pregões europeus fecharam em alta: a bolsa da Alemanha subiu 0,92%, a de Paris teve valorização de 1%, enquanto Londres ganhou 0,73%.

Apesar das altas, os investidores ainda acompanham com apreensão a eventual saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado Brexit). Segundo dados compilados pela Bloomberg, são 46% a favor da saída; 41,8% a favor da permanência; e 12,2% indecisos. A boa notícia de hoje no Reino Unido é que a taxa de desemprego no Reino Unido recuou para 5%, o menor nível desde 2005.

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