Títulos, gols e confusões: a passagem de Fred pelo Fluminense

Quando deixou o Lyon, da França. para voltar ao Brasil, nem Fred, nem o Fluminense imaginariam que o casamento seria tão duradouro. Para os padrões brasileiros, ficar sete anos e três meses em um clube é algo raro. Mas nem sempre este convívio foi pacífico. Como qualquer casamento, os dois passaram por alegrias, tristezas, além de títulos, algumas polêmicas e muitos gols. Foram 172 em 288 jogos, o que faz com que Fred seja o terceiro maior artilheiro da história do clube tricolor.

Mas agora o adeus não tem mais volta. Depois de várias ameaças de deixar o clube, o centroavante assinará com o Atlético-MG até o fim de 2018, quando encerraria seu contrato com o clube tricolor. Segundo o “Globoesporte.com” renderá ao time tricolor cerca de US$ 1,5 milhão (R$ 5 milhões). Fred sai das Laranjeiras para entrar para a história tricolor deixando uma pergunta no ar: O agora ex-capitão tricolor é o maior ídolo da história do clube?

Argumentos a favor de Fred há de sobra. Além dos gols, o atacante conquistou dois títulos brasileiros (2010 e 2012), um Campeonato Estadual (2012) e a Primeira Liga (2016). Mais do que isso, ajudou o time na arrancada histórica contra o rebaixamento do Campeonato Brasileiro de 2009 e se transformou num ídolo carismático amado por torcedores e, principalmente, torcedoras.

Por outro lado, o atacante sempre esteve envolvido em confusões com parte da torcida, foi acusado de mandar demais e derrubar treinadores do clube e não construiu uma carreira nas Laranjeiras como outros grandes nomes a passarem pelo time tricolor. Além disso, o jogador conviveu com muitas lesões e, desde 2010, ficou de fora de 40% dos jogos do time tricolor.

O presidente do Fluminense, Peter Siemsen, que dará uma coletiva nesta quinta-feira para explicar a saída do ídolo, já declarou que Fred é o maior ídolo contemporâneo do Fluminense. A frase foi dita há dois meses, durante a mais recente rusga envolvendo o centroavante e o técnico Levir Culpi que quase resultou na sua saída do clube. Fred se desentendeu com o treinador e chegou a dizer que não jogaria mais nas Laranjeiras enquanto Levir estivesse lá. Mas os dois acabaram se acertando e o atacante ficou. Na ocasião, o Atlético já havia demonstrado interesse em sua contratação, mas a negociação esfriou quando Fred decidiu ficar, embora tenha confirmado os atritos com Levir.

ALIVIO FINANCEIRO

Para o Flu, a saída de Fred, que tem contrato até o fim de 2018, representa um significativo alívio financeiro. Com salário de R$ 800 mil mensais, o clube economizará até o fim do contrato o equivalente a R$ 14,4 milhões. Uma economia necessária para um clube que está estrangulado financeiramente pela ausência de um patrocinador master e o atraso de três meses nos repasses do fornecedor de material esportivo. Mais do que eventuais rusgas dentro de campo, portanto, pesou mais na decisão tricolor de liberar o centroavante a questão financeira.

Fred chegou nas Laranjeiras em março de 2009. Na temporada anterior, o time havia feito uma campanha histórica na Libertadores, quando chegou na decisão e acabou derrotado pela LDU, no Maracanã e buscava, ao menos, manter o sucesso contratando o centroavante que havia disputado a Copa do Mundo de 2006 pela seleção e marcara 41 gols em 119 jogos pelo Lyon.

Logo na sua estreia, diante do Macaé pelo Campeonato Estadual, ele marcou dois gols. Mas o ano não seria nada fácil para o Flu. O time faria um Brasileiro muito ruim e teria que lutar contra um novo rebaixamento de sua história. Foi quando Fred começou a se tornar ídolo do clube, conduzindo a equipe a uma arrancada histórica na reta final fazendo com que o clube escapasse do rebaixamento iminente na última rodada, com um empate com o Coritiba em 1 a 1.

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