Prefeitura defende que volume de entulho retirado de Deodoro foi o acordado

RIO – O prefeito Eduardo Paes disse nesta quarta-feira não saber se houve conivência de funcionários do município nas supostas fraudes nas obras do Complexo de Deodoro. Ele defendeu as investigações federais que apontaram indícios de irregularidades no transporte e descarte de entulho removido da instalação olímpica. Mas afirmou que a fiscalização da prefeitura, da Caixa Econômica Federal e do Ministério dos Esportes sustenta a tese de que foi retirado do complexo o volume de terra acordado com o consórcio responsável pelas intervenções, formado por Queiroz Galvão e OAS.

De acordo com a operação Bota-Fora, desencadeada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, com apoio do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle — antiga Controladoria-Geral da União — e da Receita Federal, poderiam ter sido desviados cerca de R$ 85 milhões dessas obras. Uma empresa “laranja” simularia o transporte e a disposição do material, cujo volume levado para uma área licenciada em Duque de Caxias teria sido superfaturado pelo consórcio.

Embora haja suspeitas de que a quantidade de entulho depositada no terreno tenha sido menor do que o registrado nos documentos das empresas, os gastos com essa operação dobraram em relação ao previsto, de R$ 80 milhões para R$ 147 milhões. Enquanto isso, os resíduos poderiam ter sido usados em outros empreendimentos. Diante disso, Paes afirmou que só pagará pelas intervenções em Deodoro depois de terminadas as investigações do caso.

— É muito importante o trabalho que a Controladoria está fazendo. Eles nos alertaram (sobre as suspeitas) há um mês e meio, e os recursos (cerca de R$ 128 milhões) foram bloqueados. Então, não se pagou nada à empresa. Se não houver nenhuma fraude, pagamos — disse Paes.

Segundo o prefeito, seria difícil para um fiscal de obra do município identificar, por exemplo, assinaturas falsas na documentação do consórcio.

— Ele trabalha com o volume de terra retirado. Agora, se tem assinatura falsa e fraude, é um caso policial. Isso uma fiscalização de obra não faz — defendeu.

Já ao ser questionado sobre o fato de as obras em Deodoro terem começado sem um projeto executivo, ele criticou os governos federal e estadual, responsáveis pelo complexo antes de a prefeitura assumir o complexo:

— Deodoro é tudo menos uma falha da prefeitura do Rio. Mas o governo federal passou quatro anos sem fazer nada em Deodoro. Depois o governo do estado levou um ano também sem fazer nada. A prefeitura recebeu aquilo no início de 2014, para entregar em meados de 2015. E começou a fazer as obras porque tinha que iniciar. Se a obra foi licitada sem projeto executivo, vão cobrar dos governos federal e estadual que não fizeram a sua parte. A prefeitura entrou para salvar.

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