Paes pede a Temer mais de R$ 1 bi para financiar os Jogos

Na primeira visita oficial do presidente interino Michel Temer às instalações olímpicas, o prefeito Eduardo Paes foi o porta-voz de pedidos de mais de R$ 1 bilhão para que os Jogos não estrangulem as finanças do município ou do comitê organizador. No encontro, com a presença de ministros e dirigentes de bancos públicos, Paes solicitou autorização para um empréstimo de R$ 800 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Também informou a Temer que o Comitê Rio 2016 enfrenta dificuldades para fechar as contas das cerimônias de abertura e encerramento. Por isso, uma ação de patrocínio de R$ 250 milhões seria comemorada.

Paes argumentou que a prefeitura assumiu obrigações do governo federal, o que teria prejudicado seu fluxo de caixa. Tanto em Deodoro quanto no Parque Olímpico da Barra, o município assumiu a execução de obras sob responsabilidade da União. Com isso, passou a fazer antecipações aos construtores frente à demora do governo federal para liberar pagamentos.

Dentro do limite de dívida

A prefeitura está dentro de seu limite de endividamento. Porém, o empréstimo precisa do aval do Conselho Monetário Nacional (CMN) e da Secretaria do Tesouro. No mesmo encontro, Paes renovou o apelo para que a União dê apoio ao estado, que passa por grave crise financeira.

Temer avisou que a União vai assegurar todos os recursos necessários à realização dos Jogos, mas, em entrevista, não fez comentários pontuais sobre os pedidos.

— Tive uma reunião com o presidente do COI, quando ele registrou o fato de que todos já sabemos: cinco bilhões de pessoas acompanharão os Jogos Olímpicos. Por isso, foi importante eu ter vindo aqui com boa parte do ministério para conhecer as obras e para evidenciar que vamos colaborar não apenas com palavas mas também nas necessidades de natureza financeira.

nuzman não se opõe a dilma

Foi a primeira reunião do peemedebista com o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach. Bach visitou parte das instalações do Parque Olímpico da Barra. Diplomático, não quis falar sobre a possibilidade de o impeachment ser votado em agosto, durante os Jogos.

— Espero que a Olimpíada unifique o país. Olimpíada não é sobre política, sobre divisões. Olimpíada é sobre união, a união dos brasileiros para sediar o evento — disse Bach. — Fiquei feliz de ver que algumas das ações discutidas por telefone foram feitas. Estou muito feliz com o comprometimento do presidente com a Olimpíada. Estamos no mesmo barco. Nós trabalhamos com o governo Dilma e agora estamos trabalhando com o governo Temer.

Questionado se a presidente afastada Dilma Rousseff deveria ser convidada para a cerimônia de abertura, em 5 de agosto, Bach disse que esta não é sua responsabilidade.

— O COI não tem nada para falar sobre isso. Os convites do lado brasileiro não são uma responsabilidade do COI.

Temer, por sua vez, declarou que para ele tanto faz se Dilma vai ou não à abertura dos Jogos.

— Isso é da organização da Olimpíada. (Sua presença) para mim tanto faz. Não tenho nenhuma objeção, evidentemente que não tenho.

O presidente do Comitê Organizador, Carlos Arthur Nuzman, afirmou que não se opõe à presença de Dilma, mas pontuou que esta é um decisão que será tomada em conjunto com Temer e Bach.

Sobre o pedido de apoio às cerimônias de abertura e encerramento, a Rio 2016 informa que não recebe dinheiro público.

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