Em dia de demolições, prefeitura anuncia projeto para Vila Autódromo

Entre protestos, demolições e acusações de uso político, o destino da Vila Autódromo foi determinado pela prefeitura. Logo após seguir com as remoções no local, o prefeito Eduardo Paes anunciou, ontem, projeto de urbanização da área, que custará cerca de R$ 3 milhões, ao lado do Parque Olímpico, para as famílias restantes. Atualmente são 25.

Ontem de manhã, mais duas casas foram demolidas, incluindo a de Maria da Penha Macena, que morava há mais 20 anos no local, e vinha lutando pela urbanização da área.

— Você não constrói uma casa e ela é demolida assim. É muita tristeza, um sentimento de impotência — disse Maria, que confirmou ter sido procurada pela prefeitura no fim de semana para fazer um acordo, no qual poderia receber aluguel social ou empréstimo de apartamento até a casa ficar pronta. — Eles disseram que nos dariam tempo para pensar. Ficamos com o pé atrás e não assinamos.

Com o mandado de imissão de posse obtido na Justiça em mãos, agentes deram pouco mais de duas horas para as famílias retirarem seus pertences. Mais tarde, moradores protestaram em frente ao Palácio da Cidade, em Botafogo, onde estava marcada uma entrevista coletiva do prefeito à imprensa.

Porém, o local foi mudado de lugar para o Centro de Operações do Rio, na Cidade Nova. Mesmo assim, parte dos manifestantes seguiram até o local. Depois dos protestos, Maria da Penha seguiu para a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro onde recebeu o título de cidadã honorária fluminense, no Dia Internacional da Mulher.

— A vida continua. A casa pode ser demolida, mas a vida continua — afirmou.

Paes afirmou que Maria da Penha poderá voltar à Vila Autódromo, se quiser, após a construção cuja licitação ficará pronta em breve. As obras devem durar três meses, e o objetivo é que fica pronta antes dos Jogos Olímpicos. Serão construídas 32 casas de dois quartos, asfaltamento da via principal e duas escolas — serão montadas com peças da arena temporária de handebol.

— Nós dialogamos com todos os moradores. Nenhuma casa foi demolida sem antes haver um contato com eles. Não temos prazer em demolir casas, mas, como prefeito, preciso tomar decisões — explicou Eduardo Paes.

Um dos pontos levantados por moradores foi a prefeitura ter ignorado o plano popular elaborado com assessoria de universidades e que recebeu o prêmio Urban Age, em 2013. o projeto contemplava as mudanças urbanísticas sem ter de remover a maioria das casas. Ele foi atualizado em fevereiro deste ano levando em consideração as mudanças no bairro.

— A situação agora é totalmente diferente. Esse plano que ganhou o prêmio contemplava toda a comunidade. Muita gente quis sair desde então. E é a prefeitura que define os parâmetros com os arquitetos para fazer o projeto — argumentou o prefeito, afirmando que há uso político do caso.

De acordo com a prefeitura, havia 824 famílias morando no bairro à época do início da preparação da cidade para os Jogos. Seria necessária a remoção de 275 para obras, como uma via de acesso ao Parque Olímpico, e por questões ambientais. Mas segundo o município, das famílias que poderiam ficar, a maioria quis sair e fez até abaixo-assinado.

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