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Como Antonio Conte tenta transformar a seleção italiana

Da redação | 25/04/2016 14:40

Numa era em que não há fartura de talentos, Antonio Conte tenta construir uma Itália renovada, arejada em seu estilo de jogar. A metodologia para fazer um time que mantenha a tradição de organização do futebol do país, mesclada com uma ideia de jogo mais ofensiva, foi explicada pelo treinador nesta manhã, durante a “Semana de Evolução do Futebol Brasileiro”, na CBF.

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Tricampeão italiano com a Juventus, Conte deparou com a dura realidade das seleções: encontrar com os jogadores uma vez por mês, por vezes ficar mais de 100 dias sem vê-los e ter pouco tempo para treinar. O primeiro passo foi a definição de um sistema de jogo.

– Quando você não tem o cotidiano com os jogadores, não vê cada atleta crescer, é um trabalho diferente. A base deve ser o time, uma ideia. Começamos tentando repetir o 3-5-2 da Juventus, já que muitos jogadores eram do clube e eu tinha pouco tempo para intervir. Aos poucos, passamos pelo 4-3-3 e pelo 4-4-2, até o 3-4-3 dos últimos dois jogos, contra Alemanha e Espanha – relatou Conte. – O técnico é como um alfaiate que constrói com base no tecido de que dispõe.

No entanto, o grande desafio era mudar o estilo. Ele disse que a tradição de um país tetracampeão mundial deveria ser respeitada, afinal “significa que alguma coisa fizemos de certo”. Mas era preciso enquadrar o jogo italiano num modelo mais global. Ou seja, mais equilibrado e com mais ênfase no ataque.

– Faz parte da história da Itália a imagem de que ficamos muito atrás e depois reagimos. Os tempos mudam, há novas ideias e tentamos transmitir desde os juvenis. Na base, tentamos incutir a mentalidade de vencer pela superioridade do nosso jogo. É importante entender que pode-se ganhar um jogo de 1 a 0 e defendendo por 85 minutos. Mas a satisfação não é a mesma – diz Conte, que tem sob sua responsabilidade a gerência técnica de todas as equipes de formação da seleção italiana.

SOLUÇÕES PARA O FUTEBOL ITALIANO

Conte admite que terá trabalho. Enxerga no grande número de estrangeiros nos clubes um problema para a afirmação de jogadores italianos. Deu o tom de sua preocupação ao ser perguntado que solução enxergava para a melhoria do futebol brasileiro.

– Estou preocupado com soluções para o futebol italiano (risos). O momento não é fácil para o futebol italiano, são muitíssimos estrangeiros e não é fácil encontrar jogadores para a seleção. Estamos tentando trabalhar com a base. Mas a mudança radical deve ser das federações internacionais. As regras atuais não estão de acordo com o interesse das seleções.

Adequar a seleção e todo o futebol italiano a um futebol moderno de alta intensidade era outra preocupação. O treinador relata que visitou os centros de treinamento de todos os times da Série A do país. Queria conhecer métodos de treino dos clubes. Em seguida, os treinadores da primeira e segunda divisões do país se reuniram na sede da federação. Foram para o campo discutir métodos de trabalho.

– É inútil esconder que a intensidade do jogo aumentou muito. Ninguém fica dois ou três segundos sem ser pressionado. A técnica estática não basta mais. É preciso ter exercícios que desenvolvam a técnica em atividade, com execução mais veloz – diz Conte.

PRINCÍPIOS DE JOGO

Na apresentação, ele mostrou princípios de jogo que regem seu trabalho na seleção principal e conceitos que devem ser adotados em todos os times de base. A postura mais agressiva, segundo seus dados, resultou numa média de 18,6 recuperações de boa, por partida, no campo defensivo do rival. Além disso, em média, as retomadas de bola ocorreram 39 metros distante da linha de fundo italiana. Ou seja, o time passou a marcar de forma mais adiantada. E tinha média de 15 chutes a gol por jogo. Os números superam a média do campeonato do país.

Conte defende que a Itália seja agressiva, busque pressionar para ter a bola. Mas não, necessariamente, uma posse longa como Espanha e Alemanha, por exemplo.

– Às vezes, ao imitar outros países, perdemos nossas origens, características históricas de um país ganhador de quatro mundiais. Devemos manter a organização – explicou. – Não buscamos uma posse horizontal, mas uma ideia mais vertical, de concluir a gol.

Na seleção principal, defende conceitos como finalizar as jogadas no campo ofensivo com um mínimo de 5 jogadores, além da chamada “defesa preventiva”. Ou seja, um posicionamento que permita recuperar a bola o mais rapidamente possível.

Aos times de base, além do protagonismo dos jogos, Conte propõe questões de metodologia e didática e a “formação de homens”.

– Formando homens, nos momentos de dificuldade você vai obter melhores respostas – afirmou Conte, defendendo o treinador de base tanto como um selecionador de jogadores, quanto como um treinador que melhore tecnicamente os atletas e transmita uma cultura de trabalho.

Entre os conceitos, estão o de que só é possível formar um time com obediência a um sistema, chamado de “fio invisível em torno do qual o time se move”. Além da educação dos jovens para praticar um “jogo total”, ou seja, em que todos os onze jogadores sejam ativos na fase defensiva e na ofensiva. Outra característica que cobra da equipe é a rapidez na transição da defesa para o ataque, assim como na transição para defender.

– A velocidade da transição determina o resultado.

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