O belo e estranho rock dos Deftones

Chino Moreno jura que não é intencionalmente que ele e os Deftones fazem tudo bem diferente do que o chamado “senso comum” (quem é esse mesmo?) espera.

— A gente não trabalha muito com uma ideia de conceito — diz o cantor sino-mexicano de 42 anos a respeito do novo disco do quinteto, “Gore”, mas também da carreira da banda de forma geral. — Eu olho para os nossos discos antigos, acho alguns brilhantes, outros nem tanto, mas nunca me ocorre uma ideia central que tínhamos na hora de compor e gravar. Como o “White Pony” (de 2000, que destacou a banda de outras de sua geração, a do chamado new metal): foi uma ruptura com um determinado gênero, mas nós nunca planejamos isso. E acabou sendo um disco muito popular.

Ele não tem medo da palavra “experimental”.

— Acho que é isso que fazemos, jogamos ideias em cima uns dos outros — resume. — Os caras da banda sempre trazem coisas legais aos ensaios, e sempre tentamos levá-las a lugares diferentes, montar o quebra-cabeças. Em algumas músicas, como “Prayers/ Triangles”, tivemos a intenção de intercalar trechos suaves e agressivos. Mas não acho que sejamos uma banda muito de vanguarda, nada disso. As músicas ainda têm uma estrutura mais ou menos tradicional.

Embora desdenhe do próprio vanguardismo, ele se diz fã de bandas radicais, como o Mars Volta, hoje inativo.

— Eu adorava aqueles caras! — anima-se. — Omar (Rodríguez-López) era um guitarrista brilhante, e ele sempre tinha os melhores bateristas na banda. Mas, sabe, eles eram aquilo mesmo. As músicas saíam diferentes porque era da natureza da banda, e por isso era tão bom.

Embora se orgulhe da geração dos anos 1990 que pariu os Deftones (“Estamos aí há mais de 20 anos lançando discos!”), ele diz que o rótulo “new metal”, que os ensacolava junto a bandas como Korn e Limp Bizkit, nunca fez muito sentido.

— Um movimento que ganha o nome de “new” (novo) já fica velho quando nasce — diz ele. — Teve um momento em que nos afastamos intencionalmente daquele gênero. Não por causa das bandas, que eram ótimas, mas musicalmente nós não somos parte de grupo algum, acho.

luto em estado orgânico

“Gore” — a palavra normalmente é usada para descrever cenas sanguinolentas, em contraste com os pássaros voando placidamente na capa — é o primeiro disco dos Deftones após a morte do baixista Chi Cheng, que sofreu um grave acidente de carro em 2009, cujas consequências acabaram por tirar sua vida em 2013.

— Não falamos muito da morte de Chi, mas ele está sempre nas conversas, claro — diz Chino. — Não há nada sobre ele no disco, mas certamente a dor da perda aparece, organicamente, nas composições e na execução das músicas.

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