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Simulações sugerem que planeta extrassolar é potencialmente habitável

Da redação | 27/05/2016 18:40

RIO – Um distante planeta extrassolar, isto é, que orbita outra estrela que não nosso Sol, pode ser habitável. Localizado a cerca de 1,2 mil anos-luz da Terra na direção da constelação de Lira, o Kepler-62f foi alvo de simulações que uniram pela primeira vez modelos que avaliam uma ampla gama de possíveis órbitas e interações de um planeta com sua estrela com outros modelos para os eventuais composição e comportamento de sua atmosfera e clima. E os resultados dessas simulações sugerem diversas combinações sob as quais ele poderia ter água em estado líquido na sua superfície, condição essencial para desenvolvimento e manutenção da vida como conhecemos.

De um tipo conhecido como “super-Terra”, o Kepler-62f é cerca de 40% maior que o nosso planeta, dentro do limite que os astrônomos consideram altamente provável que ele também seja rochoso como o nosso. Além disso, ele orbita sua estrela na chamada “zona habitável”, em que não está perto nem longe demais para que sua temperatura também possa permitir a existência de água em estado líquido nele. Completando um “ano” a cada 267 dias, o Kepler-62f recebeu essa designação porque é o mais afastado dos cinco planetas que se sabe orbitarem a estrela Kepler-62, com aproximadamente dois terços do tamanho e um quinto do brilho do Sol. Isso faz com que, mesmo estando mais perto da sua estrela que a Terra, ele receba apenas estimados 41% da energia que banha nosso planeta.

– Descobrimos que existem múltiplas composições atmosféricas que permitem a ele ser quente o bastante para ter água líquida na superfície – afirma Aomawa Shields, astrônoma da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e líder do estudo, publicado na última edição do periódico científico “Astrobiology”. – Isso faz dele um forte candidato a ser um planeta habitável.

Nas simulações, os cientistas usaram cenários em que o Kepler teria uma atmosfera tão densa a até 12 vezes mais densa que a da Terra, com concentrações de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases do efeito estufa, variando a também iguais a até 2,5 mil vezes a vista na atmosfera terrestre (cerca de 0,04%), e diversas possíveis configurações para sua órbita. Segundo Shields, para ser habitável ao longo de todo ano, o planeta teria que ter uma atmosfera com entre três a cinco vezes a densidade da terrestre, e composta inteiramente de CO2.

– Mas mesmo que ele não tenha um mecanismo que gere muito dióxido de carbono na sua atmosfera para reter calor, e tudo que tivesse fosse uma concentração de CO2 como a da Terra, certas configurações orbitais poderiam permitir que as temperaturas na superfície ainda que temporariamente ficassem acima do congelamento durante uma boa porção do seu ano, e isso pode ajudar a derreter os lençóis de gelo formados em outras épocas da sua órbita – diz Shields.

Para Shields, as mesmas técnicas usadas nas suas simulações poderiam ser aplicadas a outros planetas extrassolares muito mais próximos e que também podem ser habitáveis, desde que sejam rochosos.

– Isso nos ajudará a entender como certos planetas podem ser habitáveis sob uma ampla gama de fatores enquanto ainda não temos dados de telescópios – lembra. – E esse trabalho vai nos permitir gerar uma lista prioritária de alvos a serem seguidos mais de perto quando tivermos a próxima geração de telescópios que serão capazes de procurar por sinais de vida nas atmosferas de outros mundos.

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