Uma galáxia estranha e solitária na vizinhança da Via Láctea

RIO – Uma pequena galáxia estranha e solitária na vizinhança da Via Láctea oferece raras pistas para os astrônomos sobre a evolução deste tipo de objeto. Batizada Wolf-Lundmark-Melotte, ou simplesmente WLM, ela está localizada a cerca de 3 milhões de anos-luz da Terra na direção da constelação de Cetus (Baleia), onde vive praticamente isolada do resto do chamado Grupo Local, o conjunto de dezenas de galáxias no nosso “canto” cósmico no qual a Via Láctea é uma das três espirais dominantes, ao lado da maior Andrômeda e da menor Triângulo.

Com seu tamanho reduzido e sem uma estrutura definida, a WLM é classificada como uma galáxia anã irregular. No seu comprimento maior, ela se estende por aproximadamente 8 mil anos-luz, incluindo um halo de estrelas extremamente velhas descoberto em 1996. De acordo com as teorias atuais, as galáxias primitivas do Universo interagiram gravitacionalmente umas com as outras e em muitos casos se fundiram, num processo que ao longo de bilhões de anos deu origem às grandes galáxias espirais e elípticas que vemos espalhadas pelo Universo.

Algumas galáxias, no entanto, se desenvolveram como que por conta própria, longe da influência de outras galáxias e suas estrelas, como no caso da WLM. Por isso, ela representa o que se poderia chamar de um “estado natural” desse tipo de objetos, onde qualquer alteração se deu em grande parte independentemente de alguma atividade externa.

Assim, vista em detalhes pela OmegaCAM – uma enorme câmera capaz de fazer imagens de campo amplo com 256 megapixels instalada no telescópio de levantamentos VST, do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile – a WLM exibe estruturas que indicam como podem ter se parecido as primeiras galáxias do Universo. O halo de estrelas vermelhas e velhas que se espalha no espaço em torno dela, por exemplo, data da formação da própria galáxia. Já as estrelas em seu centro parecem bem mais jovens com sua luz azulada, e cuja intensa radiação ionizou as nuvens de hidrogênio na região, fazendo com que elas brilhem num característico tom avermelhado.

ver mais notícias