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Garimpos ilegais reocupam terras indígenas em Roraima e contaminam rios

Da redação | 15/03/2016 17:40

BRASÍLIA – A Fundação Nacional do Índio (Funai) verificou em sobrevoos sobre terras indígenas Yanomami no oeste de Roraima, entre novembro e dezembro, a retomada de uma intensa atividade garimpeira ilegal. Esses voos, segundo relatórios de atividade da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana, revelaram imagens dessas atividades de mineração, que na região é mais intensa em ouro e diamantes.

O senador Telmário Mota (PDT-RR) disse nesta terça-feira que solicitará ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal que faça novas buscas em ações de garimpo ilegal em terras indígenas do estado. Ele lembrou que, há quatro anos, a Polícia Federal promoveu uma operação na região contra os garimpeiros, em que se destruiu uma draga que era utilizada na atividade de mineração.

Segundo relatório de atividade da Funai, o trajeto de sobrevoo de 19 de novembro nos rios Parime a Uraricuera verificou 47 balsas confirmadas em operação e três pistas de apoio logístico (aéreo). Em 17 de dezembro, outro voo identificou mais pistas de pouso para aeronaves, assim como o último voo de 21 de dezembro.

Em discurso no plenário do Senado proferido nesta terça-feira, Mota apontou que a atividade mineradora em terras indígenas de Roraima retornou com intensidade nos últimos meses, como revelam os relatórios da Funai, ligados à Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém-Contatados.

_ Segundo a Funai, um dos principais afluentes do rio Couto Magalhães apresentou alta quantidade de sedimentos, sendo confirmado garimpo de barranco em suas nascentes, nas proximidades da comunidade do Hakoma. Pela quantidade de acampamentos, foram estimados cerca de 90 garimpeiros _ disse Mota no plenário do Senado.

Na última sexta-feira, o presidente da Funai, João Pedro Gonçalves, esteve reunido com o secretário Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Antônio Alves de Souza, para tratar da necessidade de acabar com os garimpos ilegais na Terra Yanomami, entre outros assuntos.

Eles verificaram a presença de mercúrio nos rios da área indígena e a contaminação de peixes que alimentam as aldeias. O mercúrio é usado para separar os minerais preciosos de outros elementos. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nos últimos meses atestou essa contaminação por mercúrio nas comunidades Yanomami, segundo o Ministério da Saúde.

“Não adianta a Sesai intervir na saúde das comunidades afetadas, se antes não for retirado dali todos os garimpos ilegais que provocam a contaminação dos rios. Para isso, a ação do Ministério da Justiça é imprescindível”, disse o presidente da Funai na ocasião, segundo nota do Ministério da Saúde de sexta-feira.

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