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Dólar perde força e fecha em queda de 0,61%, a R$ 4,023

Da redação | 01/03/2016 11:19

SÃO PAULO – As preocupações com a situação fiscal do país e a queda do preço do petróleo no exterior pressionam os negócios nesta sexta-feira. O dólar comercial, após operar em alta por quase todo o pregão, fechou em queda de 0,61% ante o real, cotado a R$ 4,021 na compra e a R$ 4,023 na venda. No entanto, na semana, a divisa acumula alta de 0,80%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava, às 16h50, em queda de 0,44%, aos 41.295 pontos.

Na avaliação de analistas, o cenário externo deixou de ser favorável e, além disso, novos dados negativos em relação à economia brasileira foram divulgados. Na quinta-feira, o Banco Central apontou retração de 4% na atividade econômica no ano passado e o IBGE mostrou nesta sexta-feira que a taxa de desemprego chegou a 9%.

— Até o meio da semana, a alta da Bolsa era impulsionada pela melhora nas expectativas para o petróleo. Agora há uma incerteza em relação à limitação da produção do óleo. Internamente, nada melhorou na economia brasileira. Não dá para esperar muita coisa do mercado acionário com essa economia — disse Ari Santos, gerente de renda variável da corretora H.Commcor.

O preço do petróleo tipo Brent registra recuo de 4,03%, a US$ 32,90 o barril. A desvalorização dessa matéria-prima tende a afetar as moedas dos países produtores e também das ações das empresas da cadeia de óleo e gás. Isso também contribui para o aumento das dúvidas em relação ao crescimento da economia global. No exterior, o “dollar index”, calculado pela Bloomberg, registrava queda de 0,37% próximo ao encerramento dos negócios no Brasil.

— O que está acontecendo hoje na Bolsa é um reflexo do que temos na economia, com indicadores ruins. Mas o cenário externo também não está ajudando. As incertezas ainda são grandes — explicou Sandra Blanco, consultora de investimentos da Órama.

Ricardo Gomes da Silva Filho, da Correparti Corretora de Câmbio, destacou ainda a declaração do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, sobre a falta de espaço para reduzir os juros no país. Além disso, o anúncio dos cortes no Orçamento de 2016 também estão no radar dos investidores. Essas declarações contribuíram para ajustes no mercado de juros.

PIORA FISCAL

Na quarta-feira no final da tarde, a Standard & Poor’s anunciou um novo rebaixamento da nota de crédito (rating) do Brasil. Uma das razões para essa mudança, e a manutenção de perspectiva negativa, é a trajetória da dívida pública. Sem as medidas de ajuste fiscal, fica mais difícil reverter a tendência de crescimento da dívida em relação ao PIB.

Na Bolsa, a queda é puxada pelas ações da Petrobras, que acompanham o desempenho do petróleo. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal caem 3,70%, cotados a R$ 4,42, e os ordinários recuam 4,24%, a R$ 6,32.

O setor bancário, de maior peso no Ibovespa, operou pela maior parte do pregão em queda, mas apresenta recuperação na etapa final dos negócios. As preferenciais do Itaú Unibanco tem leve alta de 0,08% e as do Bradeco recuam 0,20%. No caso do Banco do Brasil, as ações têm alta de 1,47%.

Nesta sexta-feira, o Citi anunciou o interesse em vender os negócios de varejo em alguns países, incluindo o Brasil.

Também passaram a operar em terreno positivo as preferenciais da Vale, que têm alta de 2,87% e as ordinárias sobem 1,91%.

No exterior, os principais indicadores acionários operam em queda. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, registrou recuo de 0,80%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, caiu 0,39%. O FTSE 100, de Londres, cai 0,36%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones cai 0,27% e o S&P 500 registra desvalorização de 0,15%.

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