Matador do estudante "Alex" Militante do PDT, cita Evandro Melo e do ex-comandante da PM no depoimento

O pedido de exoneração do coronel PM, Marcus James Frota, do cargo de comandante da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), por ser ele, como declarou em nota pública, investigado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE), não convence à ninguém.

Dizer que saiu porque responde a inquérito no MPE por crime eleitoral nas eleições de 2014, investigado, inclusive, pela Polícia Federal, todos já sabiam disso.

O que ninguém sabia e não foi comentado nem pelo ex-comandante, tampouco pelo governador José Melo e a secretaria de Comunicação, é o seu suposto envolvimento na morte do estudante o estudante Alexandre Cézar Ferreira Gomes, 33 anos, o “Alex”, ativista político, filiado ao PDT.

Alex foi encontrado morto 11 dias depois de participar de uma manifestação na abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, com um tiro na nunca na tarde do dia 13 de fevereiro, na avenida dos Oitis, bairro Distrito Industrial, Zona Leste de Manaus.

O Fato Amazônico teve acesso ao Termo de Qualificação e Interrogatório, do empresário Ildercler Ponce de Leão, preso, temporariamente, no dia 7 do mês passado juntamente com Thiago dos Santos Miranda e do cabo da Polícia Militar, Edmilson Pimentel Rodrigues, prestado dia 20 de abril ao delegado Daniel Lucas.

Ao ser interrogado pela autoridade policial, o empresário conta detalhes os meandros do crime, cita o nome de James Frota e do irmão do governador, Evandro Melo.

Ponce de Leão conta que viu no celular de Alexandre uma conversa, via Whatsapp, detalhada sobre um plano montado para jogar xerox de notas de cem reais contra o governador José Melo.

A descoberta, segundo confessou à polícia, teria chamado à atenção de Thiago, que se manteve próximo à vítima (Alexandre) para se apossar de seu celular.

Ponce Leão afirma, ainda, que Thiago lhe confessou que já havia trabalhado para o coronel Frota e que já teria matado pessoas, mas não a mando do militar. Garante que Thiago, Edmilson – esse seria o cabo da PM -, e mais dois homens, identificados como Waldir e Carlos, teriam colocado droga na mochila de Alexandre enquanto ele estava na União Municipal dos Estudantes (UME).

Afirma ainda que Thiago pegou o celular de Alexandre e Carlos conseguiu desbloquear o aparelho e teve acesso a tudo que estava no telefone e passou um computador pessoal. Disse que Thiago ligou para o coronel Frota, mas ele não ouviu o teor da conversa.

Ponce Leão, diz ainda que James Frota foi ao encontro onde estava Thiago e Carlos, onde pessoalmente recebeu o telefone celular que era de Alexandre e onde cita que a ordem para o aparelho ser entregue ao coronel teve aval do irmão do governador Evandro Melo, que disse que “Frota era de confiança”.

Entenda o caso

Conforme o delegado Ivo Martins, no dia 12 de fevereiro deste ano, por volta das 20h, Alexandre deixou a casa onde morava, situada na Avenida Castelo Branco, bairro Cachoeirinha, Zona Sul de Manaus, informando que iria resolver um problema e depois retornaria ao imóvel. Desde então ele não foi mais visto.

“No dia seguinte, o corpo do jovem foi encontrado na Avenida dos Oitis e no dia 16 do referido mês foi reconhecido pelo irmão da vítima, no Instituto Médico Legal (IML). Ele foi morto com um tiro de pistola calibre 40, de uso exclusivo da polícia, dado na cabeça. Alexandre teve ainda o celular furtado. A cápsula deflagrada não foi recuperada. Relatório emitido por profissionais que trabalham no instituto assegurou que a vítima não apresentava sinais de tortura”, concluiu Ivo Martins, reforçando que a vítima não possuía antecedentes criminais.

Mistérios

A morte do militante do PDT, Alexandre César Gomes, ou “Alex”, que desapareceu, no dia 12 de fevereiro deste ano, e foi reconhecido,  no dia 16, já no Instituto Médico Legal (IML), por seu irmão, Júlio César, está cercado de muito mistérios. Mistérios que precisam ser desvendados, principalmente, para que, graves suspeitas, geradas em torno do aparelho policial do estado e de seu comandante-em-chefe, o governador José Melo, sejam dissipadas do campo das hipóteses.

Senão vejamos.

Coincidência ou não, no dia em que o militante do PDT foi executado com um tiro na cabeça e jogado em um matagal na estrada do Puraquequara, ele teria conversado, longamente, com a namorada, via WhatsApp, aplicativo no qual teria deixado mensagens no mínimo reveladoras e comprometedoras

Confira a nota na íntegra:

Em cumprimento às funções públicas do cargo de Comandante Geral da Polícia Militar do Estado do Amazonas (PMAM), venho por meio desta, informar meu afastamento temporário das atribuições de comandante geral, conferidas pelo governador José Melo de Oliveira.

Esta decisão toma por base a postura que sempre adotei diante desta corporação e tem por objetivo trazer ainda mais independência e credibilidade ao inquérito policial em que meu nome é mencionado. Durante as investigações me coloquei voluntariamente à disposição, colaborando e prestando as informações necessárias, inclusive por meio de depoimento formal.

Neste passo em que o inquérito está sob a responsabilidade do Ministério Público, vejo meu afastamento como medida idônea, transparente e responsável, com franca intenção de evitar qualquer suspeita de uso do meu posto ou autoridade para interferir ou mesmo influenciar qualquer deliberação. Esta é uma decisão de caráter pessoal, mas que traduz bem a conduta deste comandante diante dos seus comandados, de conduzir cada sentença com firmeza e coragem.

Agradeço imensamente aos meus liderados, sobretudo a confiança depositada no trabalho até agora realizado por este comando. Estou certo de que cada ponto será esclarecido dentro dos mais rigorosos critérios de apuração contidos no conjunto probatório, agora no âmbito do Ministério Público, a quem deposito irrestrita confiança. Portanto, sigo firme na postura que me foi base de convivência e trabalho até que tudo esteja devidamente esclarecido.

Sem mais, encerro este comunicado ressaltando os valores de justiça, verdade e honestidade que nos acompanham nesta centenária instituição.

Materia do Fato Amazonico 

http://www.fatoamazonico.com/site/noticia/nomes-de-evandro-melo-e-do-ex-comandante-da-pm-aparecem-em-depoimento-de-suposto-matador-de-estudante—veja-documento/

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